Se preparar para concurso não é estudar o máximo possível: é estudar do jeito
certo, com constância, revisão inteligente e treino de prova. A maioria desiste não
por falta de capacidade, mas por falta de método (e por uma rotina impossível de
manter).
A seguir, você vai ver um passo a passo simples (e prático) para organizar suas
matérias, escolher técnicas melhores de aprendizagem e estudar de forma coerente
com a realidade atual dos concursos: muita concorrência, banca exigente, e a
necessidade de acertar o “básico bem feito” com regularidade.
1) Comece pelo “mapa do jogo”: edital, banca e cargo (antes de
comprar qualquer curso)
Antes de montar cronograma, você precisa responder 3 perguntas:
● Qual cargo e qual área? (administrativa, policial, tribunais, fiscal, saúde etc.)
● Qual banca? (o estilo muda: enunciado, pegadinhas, cobrança de
jurisprudência, peso de português…)
● Qual edital (ou último edital parecido)? (matérias, pesos, critérios de
eliminação)
Na prática: abra o último edital e faça uma lista com:
● Matérias + tópicos (conteúdo programático)
● Peso de cada matéria (ou número de questões)
● Nota mínima por disciplina (se existir)
● Formato da prova (objetiva, discursiva, redação, TAF, títulos)
Isso evita o erro clássico: estudar “tudo de tudo” e avançar pouco.
2) Monte um plano de 12 semanas (simples, mas eficiente)
Um bom plano inicial não precisa ser perfeito; precisa ser executável. Um modelo
que funciona:
Semanas 1–2: Base
● Criar rotina
● Fechar o “núcleo duro” (Português + RLM/Matemática básica +
Informática/Atualidades, se cair)
● Começar resumos mínimos (bem mínimos) e questões leves
Semanas 3–8: Volume + questões
● Avançar teoria com objetividade
● Fazer questões todo dia
● Iniciar simulados curtos (por blocos)
Semanas 9–12: Consolidação
● Mais revisão do que teoria
● Simulados completos (com tempo)
● Correção minuciosa + caderno de erros
Regra de ouro: o que mais aprova é revisão + questões + correção (não maratona
de teoria).
3) Use as “técnicas que dão resultado” (em vez de só ler e grifar)
Se você quer aprender mais em menos tempo, foque nessas práticas:
a) Recordação ativa (Active Recall) Em vez de reler, você tenta lembrar sem olhar.
● Pergunte: “O que cai sobre isso?”
● Explique com suas palavras
● Faça mini-testes
Exemplo rápido: estudou crase? Feche o material e responda:
“Quando é obrigatória? Quando é proibida? 3 casos comuns.”
b) Repetição espaçada (Spaced Repetition) Revisar em intervalos (em vez de
“revisar tudo no sábado”).
● Revisão 1: no mesmo dia (5–10 min)
● Revisão 2: 2–3 dias depois
● Revisão 3: 7 dias depois
● Revisão 4: 15–21 dias depois
c) Questões desde o início Questão não é só “teste final”; ela ensina o jeito da
banca e fixa o conteúdo.
d) Intercalação (Interleaving) Misturar matérias (em vez de 4 horas seguidas só de
uma). Isso reduz a ilusão de aprendizado e melhora adaptação na prova.
4) Cronograma realista (para quem trabalha e tem vida)
Um cronograma bom é o que você cumpre.
Modelo simples (exemplo):
● Seg–Sex: 2 blocos de 50 min (ou 3 blocos de 30 min)
● Sábado: 2–4 horas (teoria + muitas questões)
● Domingo: simulado curto + revisão + planejamento da semana
Como dividir o tempo por matéria (jeito fácil):
● Matérias com mais peso = mais tempo
● Matérias com muita dificuldade pra você = mais tempo
● Matérias que eliminam (nota mínima) = prioridade total
5) O passo a passo do estudo em cada bloco (para não enrolar)
Use este roteiro em todo bloco de estudo:
1) Teoria objetiva (20–30 min)
Só o essencial do tópico do edital.
2) Questões (20–25 min)
Preferencialmente da banca (ou semelhante).
3) Correção (10–15 min)
Aqui você aprende de verdade:
● Por que errou?
● Qual foi a pegadinha?
● O que precisa revisar?
4) Caderno de erros (2–5 min)
Anote só o que te derrubou (frases curtas). Isso vira ouro na revisão.
6) Como revisar sem “recomeçar do zero” toda semana
Revisão eficiente é curta e frequente:
● Revisão rápida: 10–15 min (caderno de erros + 5 questões)
● Revisão média: 30–45 min (pontos fracos + questões da banca)
● Revisão forte: 1–2 h (simulado + análise de erros)
Se sua revisão vira 3 horas relendo PDF, você está perdendo tempo.
7) Simulados: como fazer do jeito certo (e não só “por fazer”)
Comece pequeno e aumente:
● Semanas 3–4: simulado por matéria (20–30 questões)
● Semanas 5–8: simulado por blocos (ex.: Português + RLM)
● Semanas 9–12: simulado completo (tempo real)
Depois do simulado, faça o que mais importa:
● Classifique os erros:
○ Falta de conteúdo
○ Falta de atenção
○ Falta de prática (não pegou o “jeito”)
○ Falta de tempo/gestão de prova
● Reestude só o que causou erro
● Refazer questões parecidas na mesma semana
8) Erros comuns que sabotam (e como corrigir)
● Estudar sem edital → Estude pelos tópicos do edital/último edital.
● Só assistir aulas → Transforme aula em questões + correção.
● Cronograma impossível → Melhor 1h por dia por 6 meses do que 6h por dia
por 10 dias.
● Revisão acumulada → Use repetição espaçada e caderno de erros.
● Ignorar a banca → Questões da banca direcionam seu estudo.
Conclusão
Se preparar para concurso, na prática, é aplicar um sistema simples: edital na mão,
rotina possível, técnicas de aprendizagem que funcionam, questões desde o
começo e revisão com estratégia. Você não precisa ser “gênio” nem estudar 8 horas
por dia — precisa ser consistente e estudar do jeito certo.
Comece hoje com o básico: escolha o cargo, organize as matérias, defina um
cronograma que caiba na sua vida e faça o primeiro bloco com teoria curta +
questões + correção. Em poucas semanas, você já sente evolução real.
Fonte Original:
Dunlosky, J. et al. — Improving Students’ Learning With Effective Learning
Techniques
Psychological Science in the Public Interest — 2013
https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1529100612453266









